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YUUTS RUOY 

COVID-19: EVENTOS CANCELADOS E A VERDADE VEM AO CIMO


Passamos uma altura em que ganhamos uma consciência colectiva quase sempre esquecida: O processo de socialização “humaniza” o ser humano. Dependemos, residimos e co-habitamos. Somos possivelmente o animal mais dependente à face da Terra. Um ser naturalmente carente que precisa além de coisas, de pessoas para alcançar a plenitude. Basta navegar sobre os nossos primórdios. Nunca conseguimos viver completamente sozinhos.  Na essência, vivemos em comunidade com o desejo de união. O homem é uma animal social. Isto não é nenhuma descoberta, mas a pandemia relembrou-nos, que de facto, precisamos uns dos outros.

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Os apoios à comunidade artística sempre foram competições focadas na produção e não no processo criativo como um todo. A prova disso, é o fundo de emergência criado que funciona, mais uma vez, como um concurso que apela à competição: uma arena de onde sai sempre um vencedor e um vencido.

O nosso sistema cultural dá apenas espaço aos que são “conhecidos” ou - por outras palavras - aos que são potenciais produtos de venda e entretenimento, deixando para segundo plano propostas artísticas alternativas, que questionam, que são densas e desafiadoras na sua recepção.

A pandemia está a trazer a verdade ao cimo, mas será que vai trazer consciência? Será que os que nos representam, nos vão finalmente ouvir?

O estado parece continuar inconsciente com a realidade da cultura e comunidade artística portuguesa. E não há nada de novo nisto - os “invisíveis” permanecem invisíveis. Aqueles que vivem no subsolo. Aqueles que não servem o entretenimento, aqueles que não são um produto. Aqueles que vivem e são o verdadeiro acto de criação.

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A Plataforma Yuuts Ruoy, surgiu em resposta e como uma manifestação política da posição destes artistas. Criando uma possível estrutura onde eles pudessem existir e propagar politicamente o seu statement de se aventurar no desconhecido.

Sendo independente - sem qualquer apoio institucional - a plataforma Yuuts Ruoy sobrevive unicamente do apoio dos seus Patronos (pessoas individuais que apoiam mensalmente a estrutura) e dos eventos organizados pela mesma.



Tínhamos agendado para este ano 42 iniciativas. Os nossos showrooms foram cancelados, colocando em risco: a principal proposta e objectivo, que com muita alegria iríamos alcançar - a disponibilização de 3 residências artísticas remuneradas; a impressão da 2ª edição da revista Yuuts Ruoy; a pequena ajuda a sobrevivência de todos os artistas que “não são conhecidos” e raramente ganham a luta nas arenas criadas pelo ministério da cultura.

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Queremos agradecer a todas as pessoas que continuam a apoiar esta plataforma. Continuamos a trabalhar  dedicados a apoiar o desenvolvimento, divulgação e arquivo de Arte emergente, pluridisciplinar e dissidente em Portugal. Com a ambição de chegar (mesmo que a um ritmo desacelerado) a uma estrutura mais justa para um dos actos mais essenciais de qualquer sociedade - o acto da criação, aquele que constrói e reflecte sobre o mundo.

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Esta pandemia em nada mudou o nosso manifesto. Apenas nos trouxe uma maior ambição de continuar a lutar por ele.

Obrigado a quem continua connosco - continuemos juntos nesta viagem a acreditar que “é preciso olhar para o “novo”, para o que emerge, sem deixar de estimular o estranhamento crítico. Permitindo que a obra artística seja abstrata, sem rótulo definido, sem que haja necessariamente uma explicação ou justificação acerca do que faz ou porque o faz.

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OBRIGADO

Elsa Ferreira
Francisco Pessegueiro
Helena Isabel Cardoso Laiginhas Afonso
João Quitério
Mário Rui Pereira
Natacha
Pipsy Roque
Tomás de Vasconcelos
Ángela Conde

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Agora, mais do que nunca, precisamos do vosso apoio

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TEXTO
Carincur