Exemplo 1.2 - Génua

2014
In Torres Vedras 
Inserted in Festival Pérola


Artists in collaboration
Inês Carincur
Ana Ri
Rita Barbita
Gonçalo Pereira Valves

Tyrone Ormsby
João Timóteo

Photo and vídeo
Tyrone Ormsby








Esta performance foi apresentada num festival onde os artistas foram convidados a ocupar  um espaço devoluto. Este trabalho fala de várias questões, como conhecer e identificar um espaço; como quatro paredes são construídas e para que servem; o que é um espaço individual; como funciona uma cidade; porquê e o que é um espaço abandonado?
A performance envolve o espaço, público, som e live vídeo.
Este projecto foi uma colaboração entre performance, teatro, design industrial e vídeo arte. 

︎

This project was presented in a festival where the artists were invited to occupy uninhabited spaces where they would present their projects.
This work is about how to know and identify a space; how four walls are built and what’s their purpose; what is an individual space; how does a city work; why and what is an abandoned space?
The performance involves the space, the audience, sound and live video.
This project was a collaborative work among performance, theatre, industrial design and video art.

This video is the product of a live video installation in Festival PÉROLA

Apropriação e desapropriação espacial da era democrática.
Essa é a empatia. Viver no espaço dos outros.
A concretização de delimitações espaciais e a sua procedente devolução. Devolução pressupõe uma entrega.
No caso de edifícios devolutos, a devolução ao estado primitivo não é possível a não ser pela sua destruição. São casas abandonadas que os humanos constroem e depois devolvem.
Prédios, os nossos filhos de tijolo/betão/cimento deixados à gravidade e aos bichos. Com o corpo devoluto.
Nós somos a criação, não somos tijolo e argamassa, nós somos a poeira compactada que constitui o tijolo, os nossos heróis e deuses são a fachada - os primeiros a morrer - enquanto arranhamos a superfície do nosso novo habitat. Sou eu, ele, ou ela? Como receber este espaço?
Mosquitos a quererem viver num escuro esquecimento invulgar novo novíssimo dinâmico. O ar devoluto em que tu, humano, não és senão um branco húmido das preces invulgares e dinâmicas novas novíssimas, perfeitamente.
A aranha não se usa no que é fora dela, e brincar com palavras desgraçadas descascadas. Ninguém está lá.
Com o que está para vir aí do que propriamente do que o mundo comunica a todos e do que o mundo comunica a ti, mais concretamente fiquei mais preocupada. Letras são letras, caramba, casas devolutas são casas devolutas cheias de arquétipos, tipos de, roedores.
Vivemos num útero, ama-o, fode-o, nascemos, morremos, trocamos de abrigo, o teu ventre agora meu, o meu ventre agora teu, ou não. De ninguém. Marcadores - como o francisco menino pequeno doce firme sorridente sem um dente a sorrir para mim.

A natureza também cresce para cima.

E assim, executamos paredes em linhas em perfeita consonância ligadas a todas as perspectivas, agora racionalizadas por nós – humano.
Espaço fechado. Só isso, espaço fechado e quatro paredes viradas ao contrário. Quatro paredes a fugirem para podermos fugir com elas.
Como fugir? Do real. Lá fora o virtual, cá dentro o natural. Lá fora o virtual, cá dentro o virtual. Do real.
Qual é o tempo de vida de uma televisão? Se eu decidisse não fugir, o meu tempo de vida seria igual ao de uma televisão.
E estou agora mesmo em frente a um ecrã que já me tentou matar três vezes, e ainda assim, eu volto e fico. Kill the television!
Abandonar esta roda bilionária; conseguir atrair os merlos que teimam em continuar a cantar, piar, espiar a alma; ser expostos como os ossos de dinossauros que vemos numa exposição; ser sempre um homo-sapiens em busca da descoberta do novo, do progresso; ouvir o ruído do caos do digital; ser louco atirado contra um cristal de alto brilho. Montar, construir, abandonar, habitar, mudar. Intrinsecamente, compelido a mudar.
Permeate the mother. Would you penetrate the uterus (whilst strangers temporarily make it their home)?
Entregámo-nos ao declínio da vida na selva.
Nothing is permanent, nothing is abandoned.