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YUUTS RUOY 

Exemplo 1.2 - Génua

Inserido no Festival  PÉROLA - Intervenções artísticas em espaços devolutos
Outubro 2014, Torres Vedras 


ARTISTAS
Ana Ri
Carincur
Rita Barbita
Gonçalo Valves
João Timóteo
Tyrone Ormsby

PEÇA SONORA
João Timóteo

VÍDEO E  FOTOGRAFIA
Tyrone Ormsby



Apropriação e desapropriação espacial da era democrática. Essa é a empatia. Viver no espaço dos outros. A concretização de delimitações espaciais e a sua procedente devolução. Devolução pressupõe uma entrega. No caso de edifícios devolutos, a devolução ao estado primitivo não é possível a não ser pela sua destruição. São casas abandonadas que os humanos constroem e depois devolvem. Prédios, os nossos filhos de tijolo/betão/cimento) deixados à gravidade e aos bichos. Com o corpo devoluto. Nós somos a criação, não somos tijolo e argamassa, nós somos a poeira compactada que constitui o tijolo, os nossos heróis e deuses são a fachada - os primeiros a morrer - enquanto arranhamos a superfície do nosso novo habitat. Sou eu, ele, ou ela? Como receber este espaço? Mosquitos a quererem viver num escuro esquecimento invulgar novo novíssimo dinâmico. O ar devoluto em que tu, humano, não és senão um branco húmido das preces invulgares e dinâmicas novas novíssimas, perfeitamente. A aranha não se usa no que é fora dela, e brincar com palavras desgraçadas descascadas. Ninguém está lá. Com o que está para vir aí do que propriamente do que o mundo comunica a todos e do que o mundo comunica a ti, mais concretamente fiquei mais preocupada. Letras são letras, caramba, casas devolutas são casas devolutas cheias de arquétipos, tipos de, roedores. Vivemos num útero, ama-o, fode-o, nascemos, morremos, trocamos de abrigo, o teu ventre agora meu, o meu ventre agora teu, ou não. De ninguém. Marcadores - como o francisco menino pequeno doce firme sorridente sem um dente a sorrir para mim.

A natureza também cresce para cima.

E assim, executamos paredes em linhas em perfeita consonância ligadas a todas as perspectivas, agora racionalizadas por nós – humano. Espaço fechado. Só isso, espaço fechado e quatro paredes viradas ao contrário. Quatro paredes a fugirem para podermos fugir com elas. Como fugir? Do real. Lá fora o virtual, cá dentro o natural. Lá fora o virtual, cá dentro o virtual. Do real. Qual é o tempo de vida de uma televisão? Se eu decidisse não fugir, o meu tempo de vida seria igual ao de uma televisão. E estou agora mesmo em frente a um ecrã que já me tentou matar três vezes, e ainda assim, eu volto e fico. Kill the television! Abandonar esta roda bilionária; conseguir atrair os merlos que teimam em continuar a cantar, piar, espiar a alma; ser expostos como os ossos de dinossauros que vemos numa exposição; ser sempre um homo-sapiens em busca da descoberta do novo, do progresso; ouvir o ruído do caos do digital; ser louco atirado contra um cristal de alto brilho. Montar, construir, abandonar, habitar, mudar. Intrinsecamente, compelido a mudar. Permeate the mother. Would you penetrate the uterus (whilst strangers temporarily make it their home)? Entregámo-nos ao declínio da vida na selva. Nothing is permanent, nothing is abandoned.