MATA DE OURO

2014


Foi com uma viagem por acaso que o processo deste trabalho começou.
Encontrámos um edifício velho do que teria sido no passado um matadouro. O ambiente, os objectos e as questões que levantámos são materiais que nos inspiraram e inspiram a criar MATA DE OURO.
Não era só uma questão de defesa animal que nos interessou; o fascínio foi recolher do matadouro a fábrica, o sistema, os mecanismos e transpô-los para a sociedade, o dia-a-dia, o pormenor e o banal em que vivemos. Focar o ambiente que vimos pela primeira vez no edifício e reproduzi-lo noutros lugares.
Nesta performance os humanos são os porcos e vice-versa, e há uma marcha invisível que mantém as coisas no sítio que é suposto.
A criação desenvolveu-se fazendo ligações com outros materiais: a tecnologia, a farinha e o ouro. A tecnologia está em tudo e serve tudo: nos movimentos, no som.
A farinha a anunciar o corpo: a rotina e o básico. O ouro é o último poder e controla tudo.


︎

This project started out by chance during a trip.
We found an old building which would have been a slaughterhouse. The environment, the objects we found and the questions we raised were the guidelines that inspired us to create MATA DE OURO.
It wasn’t only an animal defense cause that prompted the project; the most fascinating part was collecting elements from the slaughterhouse, such as the factory itself, the system and the mechanisms and transpose these to a critic of our society, our daily lives, taking the small details and the most trivial aspects of our existence.
In this performance, humans are pigs and vice-versa, and there’s an invisible march that keeps everything in its right place.
we developed the project with the use of other materials: technology, flour and gold. Technology is in everything and it serves every purpose: from the movement to the sound.
The flour announces the human physical presence: our routine and our existence. The gold is power and it controls everything.




In Secla, Sociedade de Exportação de Cerâmica
Inserted in Festival Caldas Late Night


Artists in collaboration
Pedro Castella

Inês Carincur
Rita Barbita
Ana Ri



Photo and Vídeo
Filipe Peleja, João Pedro



In Guimarães
Inserted in Festival Guimarães NOC NOC


Artists in collaboration
Pedro Castella

Inês Carincur
Rita Barbita
Ana Ri
Gonçalo Valves Pereira



Photo and Vídeo
Tyrone Ormsby





Somos mamíferos leitosos. Sem memória.
O que é ser um mamífero sem tempo?
É andar a correr com os mamilos à solta a salpicarem sangue estragado. Movimento Mortus.
A trágica provocação fez de um homem em plena juventude um velho, de um velho uma criança, de uma criança um homem sem idade.
Decorrerão anos, antes de uns e outros aprenderem de novo a andar, comer, viver.
A morte do genuíno. Mata de ouro.
Afinal o Universo é tão grande que nem dá para nos caber na cabeça.
É só um cérebro.
Uma massa grossa da qual os porcos vão poder fazer massa à bolonhesa quando se revoltarem.
Memórias de um Universo nunca antes visto.
É porque as memórias não têm sabor.
É por isso que o fazemos. Assim.
O sistema não sente as memórias.
Não sente a diferença de matérias. De um estado para o outro. As coisas alteram-se para quê? De sólido para líquido, de cinco para oito.
Procuras abrandar e comer menos açúcar.
Qualquer coisa hoje em dia toca em metal.
É a peregrinação metálica.