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YUUTS RUOY 

MATA DE OURO

Inserido no Festival NOC NOC
Outubro 2014, Guimarães


ARTISTAS 
Ana Ri
Carincur
Pedro Castella
Rita Barbita
Gonçalo Valves Pereira

SOM
Gonçalo Valves Pereira

VÍDEO E FOTOGRAFIA
Tyrone Ormsby






Maio 2014, SECLA, Sociedade de Exportação de Cerâmica, Caldas da Rainha


ARTISTAS
Ana Ri
Carincur
Pedro Castella
Pipsy Roque
Rita Barbita




Foi com uma viagem por acaso que o processo deste trabalho começou. Encontrámos um edifício velho do que teria sido no passado um matadouro. O ambiente, os objectos e as questões que levantámos são materiais que nos inspiraram e inspiram a criar MATA DE OURO.
Não era só uma questão de defesa animal que nos interessou; o fascínio foi recolher do matadouro a fábrica, o sistema, os mecanismos e transpô-los para a sociedade, o dia-a-dia, o pormenor e o banal em que vivemos. Focar o ambiente que vimos pela primeira vez no edifício e reproduzi-lo noutros lugares. Em MATA DE OURO os humanos são os porcos e vice-versa, e há uma marcha invisível que mantém as coisas no sítio que é suposto. A criação desenvolveu-se fazendo ligações com outros materiais: a tecnologia, a farinha e o ouro. A tecnologia está em tudo e serve tudo; nos movimentos, no som. A farinha a anunciar o corpo, a rotina e o básico. O ouro é o último poder e controla tudo.


Somos mamíferos leitosos. Sem memória. O que é ser um mamífero sem tempo?
É andar a correr com os mamilos à solta a salpicarem sangue estragado. Movimento Mortus.
A trágica provocação fez de um homem em plena juventude um velho, de um velho uma criança, de uma criança um homem sem idade. Decorrerão anos, antes de uns e outros aprenderem de novo a andar, comer, viver.
A morte do genuíno. Mata de ouro.
Afinal o Universo é tão grande que nem dá para nos caber na cabeça. É só um cérebro.
Uma massa grossa da qual os porcos vão poder fazer massa à bolonhesa quando se revoltarem.
Memórias de um Universo nunca antes visto. É porque as memórias não têm sabor.
É por isso que o fazemos. Assim. O sistema não sente as memórias.
Não sente a diferença de matérias. De um estado para o outro. As coisas alteram-se para quê? De sólido para líquido, de cinco para oito.
Procuras abrandar e comer menos açúcar. Qualquer coisa hoje em dia toca em metal. É a peregrinação metálica.